
O nióbio, um mineral essencial que confere ao aço maior resistência à corrosão e a temperaturas extremas mesmo em pequenas quantidades, tem atraído cada vez mais a atenção de empresas chinesas. Nos últimos anos, observamos uma expansão significativa da presença dessas companhias no setor mineral brasileiro, marcada pela aquisição de minas e produtoras do metal.
Parte desse crescente interesse está diretamente ligada à estratégia da China de suprir sua própria indústria, que se destaca por agregar valor a recursos minerais através da fabricação de produtos de alta complexidade tecnológica. Dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) revelam que a China já controla cerca de 30% da produção de nióbio no Brasil. Além disso, o país asiático demonstra uma participação relevante na produção de outros minerais cruciais, como níquel, estanho e cobre.
Jônatas Carneiro, pesquisador em geociências e coordenador executivo do Serviço Geológico do Brasil (SGB), valida essa observação, explicando que, apesar da mineração brasileira ainda dominar o uso do nióbio, a atuação de empresas chinesas na exploração do recurso no país é uma realidade inegável. “Quando falamos de um mercado que está vindo atrás do nióbio brasileiro, isso acontece, mas acontece vindo atrás das aplicações desse nióbio. Outras mineradoras que têm crescido a produção mineral, como aqui em Catalão, em Goiás, onde eu estou, a gente está falando agora de uma empresa chinesa. Então, estamos vendo o solo brasileiro, a partir de uma empresa chinesa, sendo explorado para a produção também de nióbio”, afirmou Carneiro.
Para Caíque Souza, pesquisador da Fundação Dom Cabral (FDC), um dos principais impulsionadores desse interesse chinês é o contínuo e robusto investimento industrial que o país tem realizado há décadas. A expansão acelerada da fabricação de equipamentos tecnológicos, como os indispensáveis carros elétricos, além do desenvolvimento de setores de ponta como inteligência artificial e eletroeletrônicos, naturalmente ampliam a demanda por minerais essenciais nessas atividades.
“Então, a China, em específico, por ela ter esse parque industrial bem desenvolvido e muito mais desenvolvido do que o restante do mundo, ela tem uma demanda muito maior por minérios do que ela tem capacidade de produzir no seu setor mineral. Então, a busca da China nos últimos anos nos países do Sudeste Asiático, como a Indonésia, Vietnã, Malásia, e na África e também na América Latina, em especial Brasil, Chile, Argentina, Bolívia também, tem sido pela busca de novas fontes de minerais para abastecer a sua indústria”, explicou Souza, detalhando a estratégia global chinesa em garantir o suprimento mineral necessário para sua indústria de ponta.